Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

...o pão que o diabo amassou...

É, isto de drenar alma para um blog dá inexoravelmente num desflorar de virgens axiomas, gémeos de sinapses, ora presas á memória dos sonhos, ora endiabradas qual ferrolhos á memória cognitiva, que teima em nos acompanhar no dia-a-dia.

Em tempos saltei do divã confortável que é não querer saber do mundo, dos sentimentos e até dos outros, vítima de um altruísmo sem fim, de uma carapaça de betão ousei experimentara dependência dos que estão presos a outrem, a outras coisas, enfim ao mundo que nos rodeia.

E claro está, estatelei-me qual virgem num harém turco, ao constatar, minto, ao sentir, que algo em mim, não obstaculisava mas sim permitia a passagem qual osmose inversa, quase perniciosa, de uma estaca no centro da minha redoma. Ao ousar pensar e proferir "cuidado com o que pedes, que um dia o Diabo está á escuta..." acabei por tropeçar neste etéreo patamar, algures entre o céu e o inferno. A minha faceta projectada num espelho limpo, revelou-se sem sexo, sem pudor e até sem sentimentos. Isto é, sob a forma de uma criatura, qual caricatura de mim mesmo, mais forte do que eu pois usa do livre arbítrio de viver sem grilhetas, pesadas de valores ou conceitos, apenas vive com aquela fome voraz de existir para não morrer. O que posso eu fazer, o que posso eu jogar sem sacrificar, peão, torre ou bispo, de modo a manter presa esta recordação e ao mesmo tempo viver em paz? Não sei, apenas sinto, como o coração que bate, cansado por ter que vencer o colesterol acumulado, o stress acumulado e até os Lucky Srike deglutidos, que a "caixa de pandora" ficou aberta. Não há dia, noite, sonho ou recordação que não mescle a realidade existente com o desejo de investir na insanidade crua de experimentar a outra via...

Ter que optar não é óbice, está feito mas, os estilhaços lançados pela deflagração ofensiva de ter provocado o "outro lado" ainda me fazem sangrar. Teimosamente me agarro aos princípios, aos meios que justificam um fim mas...será que daqui por 10,20anos não acharei esta opção um desperdício? Não sei e assim se faz o caminho, não sabendo nada, vamos sabendo o que temos. Não queria nem quero, demore o tempo que demorar, constatar que escrevi a minha vida com um lápis sem mina...não há nenhum haraquiri que o remedeie, nem purgatório que decida, qual o caminho a seguir. É tempo de penar, é tempo de pesar o que se sente, o que se quer e sobretudo, se nada se perde e tudo transforma...

Só lamento que o meu desejo de ontem não me traga o sabor de amanhã, para o poder saborear hoje.

Não sou infeliz, não estou triste e nem estou arrependido, apenas sinto que a minha alma podia ser mais rude, mais boçal ou até mais rústica, doía menos e viveria mais feliz.

 

A todos os inconscientes, um bem hajam

A todos os conscientes, tenham paciência, do exercício virá o saber.

 

Fiquem bem

 

Sibumi

 

 

publicado por shibumi às 23:20
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