Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007

Quo Vadis sombra ou reflexo

É, como não quer a coisa, um título esdrúxulo, carregado de segundos sentidos, que pode dizer tudo a quem quer e nada a quem apenas passa, como a caravana...

Lá se vai a redoma envidraçada, o teatro de marionetas em que os fios se quebram e as bonecas de trapo, quais hemofílicas, absorvem dos dadores litros e litros de hemoglobina redentora. Estão lançadas vida fora. E agora espreitam, quantas esquinas e ângulos se deparam quantas rectas têm que percorrer até chegarem ao destino. Qual? A meta está ali, a fita esvoaça mas terão forças para a cortar? A independência pesa no preço da emancipação e não sabem o preço da liberdade, ainda. Habituadas ao manípulo constante, dia após dia, hora após hora, recorrem à déspota vontade de reagir mas...no final qual criança cansada e a necessitar de colo, de afago e aconchego, desligam a memória e absorvem uma parcela de bem-estar. Adormecem felizes. Lançadas que foram no vazio haverá uma que comande as tropas e "antes morrer que subjugar" siga-se em frente, qual é? O abismo talvez mas, antes o salto qual grito de Ipiranga, que novamente os nós e grilhetas e peças teatrais repetidas vezes sem fim...mas o aconchego não existe, foi-se, qual leite morno que adormece os sentidos e impede os pesadelos de se instalarem nos pedaços de fome. Entre todos os muitos, que são mais que aquele único que os impele, a desconfiança existe, a saudade do conforto ainda que agrafado, mói, qual bichinho da madeira mas...a estóica e homérica herança pelo desafio á liberdade impele a troca, de uma segurança que castra o livre pensar pelo desconhecido que permite sonhar. É uma opção que altera os pratos da balança, pois os pesos e as medidas da liberdade só encontram padrão em cada um, nunca num todo. É assim a opção por cada acto, cada gesto, cada omissão e cada palavra. Uma medida, um peso, que porventura herdados de um conjunto de valores muitas vezes á bofetada absorvidos, no fim de contas de nada servem, o instinto mesclado de uma mistura de bom senso e adequabilidade ao uso decide o final. As marionetas descem do palco, caminham pela cochia fora, e enfrentam a luz do dia. De nada servem os óculos UV, se há migalhas vampirescas neste prato de restos, elas esfumar-se-ão. Assim só resta o caminho das sombras, onde muitas vezes o reflexo pode ser o nosso se um espelho amigo nos enfrenta ou então o raiar de um dia em que o último raio de sol decidiu qual penitência, eliminar e incandescer um fantoche. Tudo se perde e nada se cria.

Assim termina a história de uma boneca de trapos, qual pinóquio quixotesco decidiu prescindir dos moinhos de vento para comer a Dulcineia. Coitado, ainda está para nascer o divã para os contos de fada, o dia em que os três porquinhos desvendam que são gays e o lobo mau apenas é mais um inspector das finanças que necessita de impostos para assegurar a reforma.

 

Sem dolo nem pesar

Sem mágoa

Sem manchar a mácula brancura desta página

Há digestivos bem mais brandos do que este blog

 

Da destilaria das almas em redenção

 

Shibumi

 

 

publicado por shibumi às 23:27
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