Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007

Ode ao bacalhau...

Ainda mal refeito de tanto bacalhau, já anseio por mais, de outras formas, sabores e feitios. Isto parece não ter lógica mas, compare-se o vício, a memória por algo que nos atormenta e consome...isto é o bacalhau. Em tempos matou a fome dos pobres, daí as 1001 hipóteses de o servir, pois assim estavam garantidos 3 anos de refeições, 1,5 contando com o jantar. É assim nossa memória, eterna aliada e dependente de uma fome nunca saciada apenas satisfeita por momentos. Eu gosto de bacalhau, não me custa assumir, dizer e defender. Aprendi a saborear e assim distinguindo o de hoje, de logo ou amanhã aprendi a saborear.

Aqui reside salto quântico de um predador para um sapiens sapiens que desdenha um  soberbo "foi gras" por um gratinado. Sendo o meu hobby, a minha paixão, herdada de uma química feita engenharia, a complexidade das misturas n almofariz pode, com mestria, despertar as papilas do "gargântua", e assim ser um dependente deste ser rico em fósforo e pobre em todas aquelas mazelas que nos levam a enriquecer os "Talons" migrados de tantos cursos sem razão ou, sendo honesto, sem o nexo assente no senso de se viver á volta de uma tradição gastronómica.

Acho que me meti em sarilhos, ao dialogar com a forma seca e enxuta que procrio vezes sem fim no ginásio, e esta orgia que me faz libertar orgasmos gustativos e impele para a mesa. Não consegui mentir ás máquinas, o meu suor assim o confirmou e por isso malhei qual martelo em ferro quente até moldar uma forma outrora digitalizada na minha memória. Mas, como digo, a saudade de degustar de mais um presente de Dante acompanhado pela mais fina procriação de Baco, arrasta-me qual vício omnipresente e omnipotente para uma mesa. Pelo menos mais uma semana... É o preço do sacrifício, do saber que o sabor salgado, uma vezes é bacalhau, outras é suor...mas, mesmo assim, o sacrifício existe e conseguindo os meus 74 kg constantes, algures há células que se regalam não com ácido lácteo que emerge da porrada, mas pelos colesterol, pelo sal, pelo excesso de ter enfiado goela abaixo mais uma garfada de pecado. Abençoado equilíbrio que me permite balouçar entre o bungijumping numa ponte periférica, rodeada de barris ou esfinges secas e esbeltas. Venha o diabo e escolha. Eu durmo feliz. É claro que não falei ainda do meu amigo, invisível vindo da terra de ninguém e qual hobbit profícuo me ajuda fazendo de muleta emocional – o whisky. Sim este líquido que lembra o ouro nos alforges dos alquimistas, aparece, qual companheiro, qual confidente e acima de tudo, qual alkaseltzer...é um milagre, uma obrados deuses para os gentios, faz desaparecer as memórias pesadas e gordurosas, deixando laivos de saudade pelo próximo passo. Maravilhosa invenção. É verdade, sou um devoto, um aluno, um aficionado. Gosto, experimento, uso e abuso, mas, sempre no limiar da rígida consciência não pelas regras Castristas dos 0,5 acima de tudo por não perder a memória do sabor num desterrado e nojento vómito. Isso não.

É o meu companheiro, confidente e acima de tudo sabe que da minha eterna devoção. Somos concubinos e simbióticos.

 

Assim se rege esta ode ao Natal, as tradições em mares frios feitas.

Assim se perpetua a tradição

Assim viverá para sempre o Bacalhau.

 

Curtam este bicho

Que já matou a fome a muitos e matará a muitos mais

 

Shibumi

 

 

publicado por shibumi às 00:15
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