Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Vias-Sacras

São3 da manhã, sinto que tive uma noite fixe. Não há nada melhor do que ir a um real bar Irlandês, beber um real whisky Irlandês e sentir um real ambiente Irlandês.

Fi-lo com um amigo, colega e em que temos mais em comum do que qualquer um de nós poderia imaginar. Percorre agora a via sacra entre a paixão encandeante, provocada por uma mulher apaixonada – é aqui que o perigo é real – e a necessidade de equacionar o que tem, o que quer, se vai, se fica, enfim, a necessidade que urge em tomar uma decisão. Pese o facto de ser casado (junto para ser mais preciso) ter uma vida organizada, um filho, e uma panóplia de deveres e direitos, a verdade é que para além do ego que ganhou todos os bónus de uma só vez, a verdade é que não dorme, não descansa e não vive sem respirar o ar que ela respira, ou som da msg no tlm.

Há que equacionar pois, e usando uma frase de alguém que me é especial, nada acontece por acaso, se este cruzamento de destinos, serve para cimentar o que tem, acordar para a necessidade de alterar a rotina instalada e investir na relação que tem, reinventar a “pica” com jogos, nuances e qui çá tertúlias de paixão ou, por outro lado, isto ser uma declaração de intenções, a verdade feita paixão absoluta que nos diz, na cara e na alma, que afinal o que temos, é amizade, é compromisso é respeito, enfim, é cumplicidade comercial, pelas despesas conjuntas, cumplicidade marital pela harmonia que deve reinar e acima de tudo, cumplicidade filial, pela responsabilidade primeira de criar um ser rodeado de valores que o façam feliz e o preparem para um dia, também poder decidir e escolher. Não é fácil, introduzir esta variável, que de discreta tem pouco mas que pesa demasiado nesta altura, tratando-se do “Eu”, do facto de se sentir vivo e essencialmente, passe o encandeamento, poder viver a paixão.

O amor constrói-se, sendo um somatório de sentimentos e valores, e não desaparece, vai aumentando, sedimenta-se, mas, a paixão dói, cega e promove a multiplicação dos sentidos, onde somos capazes de dizer e sentir que estamos vivos. Não há pior “amargo de boca” do que a decisão baseada no sacrifício mas, sobrevive-se, se o nosso altruísmo for a força motriz. Um dia talvez, se possa repetir, talvez.

Eu, no que me toca, sinto q não é suficiente o tirocínio través da solidão, para me reconstruir, é demasiado básico e pouco produtivo, para mim. Sinto que o que querem ou acham que é o melhor para mim, o que me falta é aprender a, sozinho, dar-me com o mundo, não me preenche, é um esboço, uma tela incompleta. Eu faço-o pelo respeito e necessidade que tenho de me testar mas, o gozo é relativo, nunca absoluto, dura apenas o tempo de um orgasmo solitário. É importante a experiência mas, sabe a pipocas, por muito grande que seja o saco, nunca estamos satisfeitos. Falta sempre algo. Mas, sinto-me bem, solto e relaxado, a experiência trás vantagens, no entanto, a noção de solidão toma o seguinte sentido: á minha volta o ruído não são vozes, são sussurros clandestinos, apenas isso.
As vias-sacras têm estes pormenores, a cada etapa, uma dor nova, um sacrifício redentor, até que no final, os espinhos cravados, não passem de carícias, e o sangue que escorre, afinal é suor, de uma noite bem passada.
 
Fiquem bem
 

Shibumi

publicado por shibumi às 22:46
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Maio 2009

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


.posts recentes

. Acabou a fase da Crisálid...

. ...meio mundo a comer out...

. Vias-Sacras

. Desbunda Total

. Oráculo de Delfos

. Julgamento

. Assim se acorda

. aqui deixo a minha homena...

. ...chegou o inverno, cheg...

. Um enterro digno a 2007

.arquivos

. Maio 2009

. Fevereiro 2009

. Agosto 2008

. Junho 2008

. Março 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

.favorito

. Desbunda Total

blogs SAPO

.subscrever feeds