Quinta-feira, 4 de Outubro de 2007

Alice no País da demência

De quando em vez sou obrigado a uma introspecção, ainda que forçada pois teimo em não ligar cheta á pseudo credibilidade dos nossos meios de informação, imagem fiel de um país "faz de conta".

Algo não está bem, o fosso entre a propaganda e os factos alarga-se e nem a maquilhagem dos media consegue impedir o visionamento das rugas de expressão.

O desporto nacional é uma miséria, está a "pão de pedir" não só pela posturas "de joelhos" por um seleccionador que pura e simplesmente "se passa" e esgrime uma mal contida ineficácia profissional – apenas isso – são os resultados que traduzem o desespero e não vale a pena branquear a questão. Uma estrutura dependente de elementos dúbios e quixotescos que possuem o "santo gral" do monopólio – como ganhar mesmo perdendo!...

O desemprego alastra qual lepra mal curada e apenas se vê ou sente na estatística deslavada do aumento de falências de crédito. O emprego foge como areia por entre entre os dedos e apenas se concentra num quadrante auto intitulado "centro da nação".

A justiça grita por créditos quando se atola de descréditos, se imiscua entre o poder político e o poder financeiro dando crédito aos dizeres antigos de "quem tem dinheiro, safa-se...".

A saúde, termo inócuo e subjectivo pois desde que um canceroso terminal a ser obrigado a desempenhar a sua função fiquei confundido com o significado léxico deste termo...aos centros de saúde, apeadeiro obrigatório para todo o cliente SNS, que encerram pois emergem de cálculos financeiros rotulados como inoperantes...

Aos impostos que pagamos, os tais 11% sobre a saúde e os tais "não sei quantos %" sobre o facto de termos que trabalhar, tudo isto para quê? Não ofendo ninguém ao perguntar porquê?

Olho inúmeras vezes para as notícias dos ditos países "terceiro mundistas" e constato que são notícias que poderiam muitas vezes ser cá dentro...apenas a cor da pele muda...a miséria existe, a fome existe, a exclusão existe, o grau de violência é que difere.

No final, as contas da OCDE, FMI e Banco Central Europeu taxam a nossa posição: somos os primeiros dos últimos. Não há vergonha apenas o decoro de a enfrentar e reconhecer, aí sim, toda a demagogia autofágica que temos que ingerir diariamente teria um efeito curativo em vez de paliativo.

Como somos um país de brandos costumes (maldita hora em que este gene anómalo cá se fixou) lá teremos que hipotecar o nosso futuro, e quando digo nosso, digo o de todos nós, pois não há sociedade sustentável que se alimente apenas de um patamar oligárquico, todos juntos fazemos um todo, triste neste momento.

Por isso não há pátria maior que a fuga aos impostos, não há hino maior que "marralhar por um preço melhor" e não há sangue que se dê se não existir uns dias de folga. Sejamos honestos, justos e gente de palavra, que estes valores não pertencem a nenhuma geração negra. São tijolos de uma fundação que molda o indivíduo, a família e a sociedade. É aqui que estamos longe. Não pomos os valores á frente dos interesses, e porquê?!...Porque enquanto a nossa existência for ditada pela sobrevivência, Darwin será rei e não há república alguma, nem das bananas que ponha isto em causa.

 

Enfim, isto de lutar contra moinhos de vento também cansa.

Condição "sine qua non"o individuo, a família e se existir tempo e dinheiro, o resto.

Venha alguém para desmistificar este facto, alguém com crédito digo eu.

 

Ps.: já repararam que os anti-depressivos são os campeões de venda?!...

 

Até á próxima

 

Shibumi

 

 

publicado por shibumi às 23:00
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